III Porque você deve dar livros de presente

Por: fabiserra

fev 13 2011

Categoria: Sem categoria

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(Sobre a verdadeira natureza dos livros, do coração
e da alma de quem escreve e de quem dá presentes.)

Você alguma vez sentiu vontade de proporcionar alegria a outra pessoa? Certamente, sim. Quando estamos muito contentes, pensamos: seria o máximo se Elizabeth (ou Tomás, ou Sibila, ou o sr. ou a sra. Maier) também estivessem contentes! E saímos correndo para comprar flores ou – conforme o relacionamento – uma caixa de bombons ou meias de náilon. E quando então os presenteados fazem uma cara feliz, sentimos cócegas no estômago e ficamos mais contentes. Por isso, dar presentes é na verdade algo muito egoísta. A gente dá alegria a outros para ter um motivo de ficar alegre. Nesse sentido permitimos-nos dar um conselho: se você tiver muita vontade de ficar contente, dê livros de presente.

Livros são uma coisa especial. Se você dá chocolate ou meias ou pasta dental ou uma mansão de doze quartos a outra pessoa, ela ficará contente com o chocolate, as meias, a pasta dental ou a mansão de doze quartos. Vai se alegrar com as coisas boas que o presente lhe trouxer e vai se alegrar com o presente em si – se é que entende o que quero dizer. Os presentes não tem nada em si, são coisas mortas e não são alegres nem tristes.

Mas livros são diferentes. São seres vivos! Foram escritos por pessoas que podem estar ainda vivas, e – se valer a pena dá-los de presente – não foram escritos apenas com a mão. Também com o coração e a alma – portanto, duas coisas que só seres vivos possuem.

Escrever um livro é uma ocupação tediosa e difícil. Mesmo que nos dê alegria. Você já tentou? Não? Pois veria que é bom! Há autores que, depois de cada livro pronto, dizem: “Nunca mais!” E estão sendo sinceros.

Mas logo após se sentam e voltam a escrever. Porque não podem evitar. Porque seu coração e sua alma viram e aprenderam coisas que não podem guardar só para si – porque simplesmente têm de escrever.

Aqueles cujos livros valem a pena reconheceram também que não damos nada a uma pessoa se não nos damos a nós mesmos como presentes. Por isso, em cada um de seus livros deixaram parte de sua alma e parte de seu coração. Quanto melhor e mais valioso for um livro, tanto mais alma e coração contém – isso não depende do preço ou do número de edições. Pois, nas pessoas dispostas a presentear constantemente seu coração e sua alma, essas duas coisas não cessam de crescer. É esse um dos segredos do bom Deus.

Bem, e agora atenção: quando você dar um livro de presente a uma pessoa a quem deseja alegrar, no começo ela se alegra com o livro e com a gentileza que você lhe faz. Se depois ela começa a ler, acontecerá o milagre: de repente, entre as páginas, essa pessoa encontra um pedaço de alma e de coração!

Depende inteiramente de você e de seu conhecimento do presentado saber que alma e que coração lhe servirão melhor. Por isso, dar livros de presente é coisa tão delicada que se devia aprender na escola, ou pelo menos em cursos noturnos para adultos.

Se você não conseguir de modo algum constatar que livro serve melhor para seu conhecido, o melhor será contar a seu livreiro um pouco sobre a natureza dessa pessoa. O livreiro tem uma enorme experiência e certamente fará algumas boas sugestões.

De resto, dar livros de presente é algo que se aprende. Eu tinha um amigo que não entendia nada disso. Certa vez me procurou e disse que sua mulher fazia aniversário. O que devia lhe dar de presente?
– Ora, um livro!
– Não – disse ele tristemente – Um livro ela já tem!

Comentário ridículo, não? O pobre nada sabia das surpresas daqueles pedacinhos de coração e de alma entre as páginas de qualquer livro, e com os quais o leitor pode enriquecer seu próprio coração e própria alma. Quem de nós pode dizer que seu coração é suficientemente grande ou que sua alma não pode crescer um pouco mais?

Ninguém, não é mesmo?

Vivemos num tempo em que não há nada mais precioso que pessoas com coração. Também pessoas com alma tornaram-se muito raras. Por isso, em nosso próprio interesse, e porque todos desejamos que a Terra volte o ser que um dia foi – um paraíso -, nada é tão importante quanto a reeducação de nosso coração e a ampliação e crescimento de nossa alma.

Com livros podemos nos tornar novamente pessoas alegres – nos livros podemos encontrar a alegria de que meu amigo Anton falava.

Se você quiser dar alegria a outras pessoas, dê-lhes livros de presente. Pois eles são seres vivos e conhecem o segredo da alegria, coisa que além deles só as flores conhecem. Entende agora o que significa quando se diz que alguém “deu um presente de coração”?

Significa que ele deu um livro.

Mario Simmel

Felicidade é um copo de café e um bom livro.

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