V Vamos nos lembrar.

Por: fabiserra

fev 27 2011

Categoria: Sem categoria

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(Pensamentos de um homem de livros sobre a leitura
e seu valor, especialmente para as crianças.)

Na verdade, sempre existiram livros em nossa vida.

Vamos pensar um pouco: quando ainda éramos pequenos e nossa mãe nos lia histórias dos livros de conto de fadas. Lembro-me bem muitas vezes nisso: as tardes penumbrosas do outono, quando, voltando para casa de um passeio, friorentos e excitados, nos sentávamos um pouco fatiga diante do fogão e ouvíamos histórias sobre fadas, princesas e ladrões: a história da donzela que ganhava seu pão trabalhando para um certa sra. Holle, batendo travesseiros fantásticos; o João Sortudo, que trocava uma pepita de ouro do tamanho da sua cabeça por coisas cada vez menos valiosas e ficava cada vez mais alegre; o homem  que emigrou para prender o medo de maneira arrepiante. e do homemzinho torto que saltitava pela floresta numa perna só, tão contente, oh, contente, porque ninguém sabia que ele se chamava Rumpelstilzchen…

Lembro-me perfeitamente de tudo isso e jamais o esquecerei. E se algum dia eu tiver filhos, quero lhes comprar grossos e coloridos livros de histórias, e ler para eles, como minha mãe fazia comigo.

Você já tem filhos? E ainda não tem livros de histórias? Ora, ora, onde já se viuw Como é que uma criança pode crescer sem contos de fadas? Você nem tem resposta para isso! Verdade: histórias a gente também pode contar (muitos entendidos acham que é muito melhor que ler), mas nossa memória, e especialmente nosso espírito inventivo, tem grandes limitações!

Havia também livros dos quais nosso pais diziam que ainda “não eram para nós”. Por isso, naturalmente, os líamos às escondidas, com um interesse todo especial. Aliás, era um tempo em que líamos tudo o que nos caía nas mãos. Naquele tempo devia ter havido falta de livros! Santo Deus, teríamos quase arrombado livrarias.

Na escola, e durante os estudos, os livros se tornaram indispensáveis: simplesmente precisávamos deles. Mais tarde, quando já conhecíamos o mistério que envolvia todas as moças, quando fumávamos cigarros e eventualmente bebíamos bebidas fortes num bar, em copos altos, era parte da nossa vida diária lermos uma hora na cama, antes de adormecer. E, na verdade, nunca abandonamos esse costume.

Só nosso gosto mudou constatemente. Houve um tempo em que líamos apenas romances policiais, sempre os mesmos, sempre as últimas dez páginas da noite anterior, porque nunca lembrávamos o que tínhamos deduzido… Depois líamos filosofia… Depois só biografias… E só poesia… E só relatos de viagens… E quando estava muito quente, só coisas divertidas… E quando estava muito frio, só coisas bem tristes…

Mas sempre tínhamos que ler: panfletos e obras encadernadas em couro fino, livros proibidos e permitidos… Muitas centenas deles. De muitos logo esquecíamos, de outros, jamais! Muitos nos desagradavam e muitos influenciaram nosso futuro. E pelo menos uma vez na vida cada um de nós pensou: um dia você tem de escrever um livro!

No começo minha mulher ficava furiosa porque eu lia demais, mas depois pegou o gosto e hoje faz a mesma coisa. Às vezes lemos um para o outro em voz alta. É muito divertido. E quando lemos bastante, fechamos os olhos e pensamos nos livros que vamos comprar para nossos filhos. Oliver Twist e Robinson Crusoé, ou A ilha do tesouro, Huckleyberry Finn e Tesouro no lago de prata, e Emílio e os detetives. E naturalmente o Diário de um menino mau.

Acho incrivelment importante o tipo de livro que se lê na juventude, e é importante, e é importante que se leia. Os livros são parte essencial de nossa educação, e todos desejamos que nossos filhos tenham a melhor educação possível.

Em bons livros está boa parte do que nossas crianças devem saber e que nunca conseguimos lhes dizer tão bem quanto os livros o fazem.

Bons livros são capazes de tornar nossos filhos pessoas livres, independentes, honestas e inteligentes. Bons livros são tão importantes para nossos filhos quanto um quarto ensolarado, boa comida, uma bola para jogar, uma amiga para pequenos segredos, e uma mãe risonha para amar.

Mario Simmel

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