As melancolicas flores azuis

Por: fabiserra

jul 28 2011

Categoria: Fabiana Serra

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Um bocado de flores azuis. E há também um bocado de melancolia em flores azuis, há algo de lúgubre. Não sabe por que comprou flores azuis. Talvez porque tudo a sua volta é azul… Quem sabe? Deixa as flores pra lá, elas não importam mesmo, um dia vão murchar assim como seus sonhos. Isso, aquilo, tudo sempre morre, por quê? Pensava consigo.

Eu o observo de vez em quando, ele anda de um lado pro outro, procurando alguma coisa, nunca acha nada. O tempo passa a escapar-lhe pelos dedos e mesmo assim demora, demora. As horas o matam. Ele não aguenta esperar, como todos, ele tem pressa, é impaciente. Mas ora, você não pode ser impaciente com o tempo, ele vai simplesmente passando, não o importa se você quer voltar ao passado ou se você quer ir para o futuro. Você está preso no presente.

As flores já fazem um contraste com aquela paisagem tão marrom na qual se encontra agora. Andou tanto, não chegou a lugar nenhum. Planejou tanto, mas de que servem os planos? Eles mesmos falham, todos vivem do improviso. Senta-se, ele cansou. E tem direito de cansar-se. A rotina cansa. Ela acomoda, mas cansa. Os mesmos rostos, os mesmos sabores, os mesmos dias todo dia. Isso cansa qualquer um.

E ele não tem sequer um acompanhante para botar-lhe um sorriso no rosto. É aquela mesma cara fechada o tempo todo, como se vivesse numa crise, como se não suportasse ninguém. Mas é, é tão difícil achar alguém que se simpatize, não que ele se ache superior, ou que seja demasiado vaidoso ou orgulhoso, não é essa a questão, são apenas as pessoas que não o seduzem com esses sorrisos colados nos rostos, essas mascaras. Se eu existisse talvez lhe fizesse companhia.

Mas não me pergunte quem eu sou! Você sabe quem você é? Eu também não sei quem sou. Acho que sou sua consciência, mas às vezes tenho severas dúvidas sobre isso. Acho que sou apenas uma observadora.

O quê? Ele já chegou ao fim de sua jornada? Perdi tanto tempo falando que nem vi que ele havia voltado a andar. Agora ele parou em frente a uma casa, casa bonita, grande demais. Tem até um jardim cheio de flores azuis, o destino gosta de brincar não é mesmo?

Agora ele está suando frio, as mãos tremem. É assim que as pessoas ficam quando deparam com seus sonhos prestes a se realizarem. Ficam com medo. Medo de não o merecerem. Medo de não ser nada daquilo que pensava. Medo só por ter medo. E ele faz o que a maioria das pessoas fazem quando se deparam com essa situação, ele abaixou a cabeça. “Medroso” sussurrei no seu ouvido. Ele a levanta novamente… “Olhe bem para esta casa, olhe, aí dentro esta tudo o que você sempre quis.” Mas por fim ele acaba por abaixar a cabeça novamente, vira as costas. Vai embora. O sonho era grande demais para ele.

Como as pessoas são minúsculas…

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