Uma melodia

Por: fabiserra

nov 07 2011

Categoria: Fabiana Serra

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Aquela antiga melodia que soa distante… Há milhas e milhas… Tento aprisioná-la num frasco de segundo eterno, mas é inútil, ele é fraco demais para suportar a infinidade de sensações produzidas de um só som, e se quebra.

O todo se dispersa pelo ar transformando-se em algo como uma poeira estelar, e gira e gira, e eu giro também. É a melodia que paira sobre o quarto branco e cansado. Calma e lenta, ela penetra nas paredes, nos livros, na cama, em mim… Sem, sobretudo, estar realmente ali. Ela apenas brota de um sonho longínquo, clamando por uma realidade com uma voz tão sóbria quanto alterada.

Ela se desespera, se perde entre os acordes e os ritmos, entre as cordas de um violão e teus dedos. Ela se eleva, e de súbito, cai na própria armadilha levando-me junto num sono profundo, tão profundo quanto sua voz… É difícil até de se acreditar que se continua na cama, embrulhada por lençóis pesados e com a cabeça contra um travesseiro gelado.

É quando se acorda para um sonho… Talvez sejam as vibrações que me transportam para lá, não sei, mas é só fechar os olhos que se vê aquilo que realmente se queria ver. A cama, então, não está mais vazia, está repleta daquela melodia, repleta de mim mesma misturada com outras essências. Até os cheiros são diferentes. Até as cores se refletem numa intensidade não mais vazia, não mais ausente.

Mas então o sol reaparece e já é hora de dormir para o dia. Esquece-se do sonho, esquece-se da noite.

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