O “confiteor” do artista

Por: fabiserra

jan 15 2012

Categoria: Sem categoria

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Que penetrantes são os finais de dia no outono! Ah! Penetrantes até a dor! Pois certas sensações deliciosas há das quais o indefinido não exclui a intensidade; e ponta mais aguçada não há do que aquela do Infinito.

Grande delícia esta de mergulhar o olhar na imensidão do céu e do mar! Solidão, silêncio, incomparável castidade do azul! Uma pequena vela estremecendo no horizonte e que por sua pequenez e seu isolamento imita minha irremediável existência, melodia monótona do marulho, todas estas coisas pensam por mim, ou eu penso por elas (pois na grandeza do devaneio, o eu se perde depressa!); elas pensam, digo, mas musical e pitorescamente, sem argúcias, sem silogismos, sem deduções.

Estes pensamentos, porém, quer surjam de mim, quer jorrem das coisas, em seguida se tornam demasiado intensos. A energia na volúpia cria um mal-estar e um sofrimento positivo. Meus nervos demasiado tensos já não produzem mais que vibrações doloridas e estridentes.

E agora me costerna a profundeza do céu; sua limpidez me exaspera. A insensibilidade do mar, a imutabilidade do quadro me revoltam… Ah! Será preciso penar eternamente ou o belo eternamente evitar? Natureza, feiticeira sem dó, rival sempre vitoriosa, me deixe! Pare de tentar meu orgulho e meus desejos!

O estudo do belo é um duelo em que o artista grita de pavor antes de ser vencido.

Charles Baudelaire

***

Le confiteor de l’artiste

Que les fins de journées d’automne sont pénétrants ! Ah ! pénétrants jusqu’à la douleur ! car il est de certaines délicieuses dont le vague  n’exclut pas l’intensité ; et  il n’est pas de pointe plus acérée que celle de l’Infini.

Grand délice que celui de noyer son regard dans l’immensité du ciel et de la mer ! Solitude, silence, incomparable chasteté de l’azur ! une petite voile frissonante à l’horizon, et qui par sa petitesse et son isolament imite mon irrémédiable existence, mélodie monotone de la houle, toutes ces choses pensent par moi, ou je pense par elles (car dans la grandeur de la rêverie, le moi se perd vite !) ; elles pensent, dis-je, mais musicalement et pittoresquement, sans arguties, sans silogismes,  sans déductions.

Toutefois, ces pensées, qu’elles sortent de moi ou s’élancet des choses, deviennent bientôt trop intenses. L’énergie dans la volupté crée un malaise et une souffrance positive. Mes nerfs trop tendus ne donnent plus que des vibrations criardes et douloureuses.

Et maintenant la pronfunder du ciel me costerne, sa limpidité m’exaspère. L’insebilité de la mer, l’immuabilité du spectable me révoltent… Ah ! faut-il éternellement souffrir, ou fuir éternellement le beau ? Nature, enchanteresse sans pitié, rivale toujours victorieuse,  laisse-moi ! Cesse de tender mes désirs et mon orgueil !

L’étude du beau est un duel òu l’artiste crie de frayeur avant d’être vaincu.

Charles Baudelaire

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