Despedida

Por: fabiserra

fev 23 2012

Categoria: Fabiana Serra

2 Comentários

O céu nublado está quase branco em contraste com um sol vermelho ardente. Despedidas e mais palavras e algumas lágrimas. Mães abraçam seus filhos, filhos se despedem dos seus pais, amantes se dão o último beijo.

No meio desta multidão de gritos e sujeiras, um homem e uma mulher se olham fixamente. Ele está com a roupa de marinheiro o que significa que ele já irá partir com os outros homens do cais. Seus olhos calmos parecem tentar tranquilizar a mulher, mas é em vão. Ele sabe disso por isso não disse nada. Ela tem os olhos grandes, que estão bem abertos e molhados. Sua pele alva e os lábios tão vermelhos quanto o sol ardente  formam o mesmo contraste do céu.

São mais dois amantes que provavelmente devem ter passado a noite nos braços um do outro, se aquecendo externamente do vento gelado que vem cortante do sul e se aquecendo por dentro, pondo fogo em suas almas.

Agora o vento sopra em direção ao mar e uma garoa começa a cair. Antes eles vinham para este cais e ficavam olhando os guarda-chuvas voarem, observavam o mar que lhes contava histórias fascinantes sobre piratas e sereias. As vezes até assistiam algumas despedidas de casais e inventavam histórias para eles. Irônico é que hoje eles que estão se despedindo e eu contando sua história.

O navio já está pronto para partir. Esta é a pior hora, mulheres gritam desesperadas  e choram! Choram, porém de seus olhos não caem uma única lágrima. Em meio a esse tumulto o casal se separa, houve algumas palavras sussurradas, quase inaudíveis. Há um cheiro que ficou, cheiro de corpos, cheiro de mar, o cheiro dele nela, o cheiro dela nele. E há muito mais. Do porto ela lhe acena com a mão até não mais poder ver o navio. Logo, as pessoas vão indo embora, voltando para suas casas e ela permanece lá. Ela é este porto sem navios.

E o vento parou de soprar, o mar agitado se acalmou e o sol vermelho se apagou.

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2 comentários em “Despedida”

  1. “Mais la vie separe
    Ceux qui s’aiment
    Tout doucement
    Sans faire du bruit
    Et la mer efface sur le sable
    Les pas des amants desunis”


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