Cheiro de Maresia

Por: fabiserra

dez 11 2012

Categoria: Fabiana Serra

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Vem do mar

como conchas, areias

sereias,

turbilhões de seres

sem lar.

Esse cheiro

me afoga

e me mata

devagar.

Esse vento… sussurrar.

Marulhando na maré

um segredo perdido

levando embora

meus pedidos

o choro caído

de tempos vividos

no mar primordial

entre chuviscos

pálido

sofrido

rasgado

como todas as cartas

amado

em trilhas funerárias

e ainda assim

esse cheiro

do corpo suado

de ontem, de hoje e anteontem

e peles riscadas

e óculos quebrados

e na calçada do mar

um buraco

toca do medo

– foge do amor –

mas esse cheiro

não vem da areia

ou de ponte

não vem de barco

nem de carro

nem de mim

nem de ti

vem do além

além-mar

em profundezas inacabáveis

que sobem pelo céu

de eras passadas

há tanto, tanto, tanto…

mar.

 

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