Homenagem a Van Gogh

“A miséria não tem fim” disse ele e morreu.

Eles não conseguiram te amar, mas mesmo assim seu amor foi verdadeiro. E quando não havia mais esperança naquela estrelada, noite estrelada, você tirou sua vida como normalmente fazem os amantes. Mas eu poderia ter-lhe dito, Vincent, esse mundo não foi feito para alguém tão bonito como você.

Foi lúcido e louco, dócil e violento, humilde e visionário, mas sempre, e, sobretudo, um eterno apaixonado.

“Sinto em mim um fogo que não posso deixar extinguir, que ao contrário, devo atiçar, ainda que não saiba a que espécie de saída isso vai me conduzir. Não me espantaria que essa saída fosse sombria. Mas em certas situações vale mais ser vencido que vencedor…”

“E ardeu nesse fogo interior para ser fonte de luz. Nele, mais do que na maioria dos homens, a aventura de viver repetiu a verdade das contradições da natureza: não há luz sem sombra, não há vencedor sem vencido. […] Buscou transmitir, além de seus próprios limites humanos, o ofuscante arco-íris que explodia em seu interior incandescente.”

Minha intenção não é construir uma biografia ou algo do tipo, mas sim prestar uma pequena homenagem a esse grande pintor que tanto contribuiu para arte moderna e que tanto foi rejeitado e incompreendido em toda sua vida. Hoje, 29 de julho, faz 121 anos que ele morreu.

“Rebelde, inclinado a solidão, até mesmo insociável na medida em que rejeitava a realidade e a estrutura da sociedade a qual pertencia.”, “Vincent é um desajustado em seu lar, em sua terra, sua sociedade.”

Vendeu um único quadro na vida, A Vinha Vermelha, vendido em uma exposição de Bruxelas. Sabe-se também que uma vez Van Gogh viu-se obrigado a vender um grande lote de telas por alguns centavos a um vendedor que as revendeu como “telas para repintar”.

 “Não posso evitar o fato de que meus quadros não sejam vendáveis. Mas virá o tempo em que as pessoas verão que eles valem mais que o preço das tintas”. Mal sabia Van Gogh que cem anos depois seria vendido O Jardim das Flores por 83,6 milhões de dólares.

 “É realmente surpreendente que uma obra tão vasta e de tão alta qualidade, como a que deixou Van Gogh, não tenha sensibilizado mais profundamente seus contemporâneos. Como é possível que tenham permanecido indiferentes ante a explosão de cores e liberdade que esse holandês colocou em seus quadros?”

“Mais de 700 quadros que ninguém quis continham uma revolução do mundo da pintura.”

A arte hoje é a expressão da emoção, do sentimento em total liberdade e isto só pôde ser alcançado graças à rebeldia e o modo livre de pintar de Van Gogh.

“A pintura está na minha pele”, dizia ele. “Eu não quero pintar quadros, quero pintar a vida.”; “Eu quero a luz que vem de dentro, quero que as cores representem emoções.”; “Exprimir o amor de dois amantes no casamento de duas cores complementares, sua fusão e oposição, as misteriosas vibrações de tons da mesma ordem. Exprimir o pensamento de uma fonte no esplendor de um tom de luz contra o fundo escuro. Exprimir esperança em um punhado de estrelas…

E ele pintava como quem semeia. Vincent, “o pintor dos sóis silenciosos e dos girassóis de ouro”, suas estrelas desabrochavam como flores de luz e fazia brilhar o amarelo.

Agora eu entendo o que você tentou me dizer e como você sofreu pela sua sanidade e como você tentou libertá-los. Eles não ouviram, não sabiam como, talvez ouçam agora… 

 

Um comentário em “Homenagem a Van Gogh”

  1. Starry Starry Night…


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